Relatório diário de política · 22 de outubro de 2026

Eleições 2026: Polarização se intensifica com pesquisas e embate Lula-Flávio; STF decide sobre ISS/PIS/Cofins

A reta final do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 é marcada por pesquisas eleitorais que indicam um cenário de polarização e proximidade entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto o Supremo Tribunal Federal profere decisão relevante sobre a exclusão do ISS da base de cálculo do PIS/Cofins. O Congresso Nacional segue com pautas importantes, e o governo federal já sinaliza preparativos para uma possível transição.

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Editor e pesquisador: KKOSAtualizado em 22/10/2026

Dissertação do dia

Cenário Eleitoral e a Polarização na Reta Final

As eleições presidenciais de 2026 se aproximam do segundo turno, agendado para 25 de outubro, e o cenário político é de intensa polarização, conforme refletido nas últimas pesquisas eleitorais. Diversos institutos divulgaram levantamentos que mostram uma disputa acirrada entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro. A pesquisa Gerp, por exemplo, indicou Flávio com 53% dos votos válidos contra 47% de Lula [R47]. Já a Quaest apontou Flávio Bolsonaro com 45% e Lula com 44%, uma diferença de apenas um ponto percentual [R50, R53, R54]. Outra pesquisa, da Futura, sugere que Flávio Bolsonaro se distancia de Lula, mas o empate técnico persiste [R49]. O Datafolha também deve divulgar uma nova pesquisa presidencial em 22 de outubro [R43], e a Quaest já havia divulgado um levantamento em 21 de outubro [R56]. Essas pesquisas são cruciais para a formação da opinião pública e para a estratégia das campanhas na reta final. A campanha de Lula, por exemplo, já tem uma estratégia definida para o debate na Globo, buscando evitar que Flávio Bolsonaro se posicione à frente [R9, R10]. O debate, inclusive, gerou cobranças por checagem de fatos em tempo real [R8].

O embate entre os dois candidatos também se manifesta em desafios públicos. Lula propôs a Flávio Bolsonaro a quebra de sigilos, e Flávio, por sua vez, impôs 19 exigências para aceitar o desafio [R3, R5, R6, R12]. Essa dinâmica de confronto direto é um mecanismo comum em campanhas polarizadas, onde os candidatos buscam descreditar o adversário e mobilizar suas bases eleitorais. A opinião pública é um fator central, e a percepção de quem está à frente nas pesquisas pode influenciar o voto dos indecisos. A Convergência Brasil, por exemplo, declarou apoio a Flávio Bolsonaro, cobrando compromisso com a mudança na política fiscal [R103, R111].

Atuação do Governo Federal e Perspectivas Pós-Eleições

O governo federal, mesmo em meio ao período eleitoral, continua com sua agenda e já demonstra sinais de preparação para o futuro. Há relatos de que o PT já prepara a transição, com o Planalto orientando ministérios a organizar dados e ministros conversando com seus sucessores [R1]. Essa movimentação pode indicar uma expectativa de continuidade ou, no mínimo, uma organização para um eventual processo de troca de governo. Em termos de políticas públicas, o governo pode comprar até R$ 90 bilhões em dívidas da população para o programa Desenrola 3.0 em novembro [R2]. Lula também enviou uma proposta de tarifa zero ao Congresso Nacional [R11], com previsão de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares em 2027 [R14].

No âmbito da economia política, a política fiscal é um tema central. Analistas e agências de rating, como a Fitch, esperam um aperto fiscal no Brasil independentemente do resultado eleitoral [R59, R62, R63, R64]. A cautela com a política fiscal é um fator que influencia as apostas para a taxa Selic [R58, R60]. O governo já admite que terá de rever R$ 53,7 bilhões em despesas para cumprir o limite fiscal [R106], e há preocupações de que pacotes de bondades possam gerar uma fatura alta de juros e dívida [R61]. A desaprovação do governo Lula, segundo a Quaest, é de 47% dos brasileiros [R112], o que pode impactar a percepção sobre suas propostas e a gestão econômica.

Judiciário e o Congresso Nacional: Pautas e Decisões

O Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu uma decisão de grande impacto fiscal, excluindo o Imposto Sobre Serviços (ISS) da base de cálculo do PIS/Cofins [R29, R31, R33, R35]. Essa decisão segue a lógica da “Tese do Século” e tem um impacto estimado em R$ 35,4 bilhões [R38, R41]. Embora o governo perca no julgamento, há a possibilidade de escapar da restituição [R37]. O STF também afastou a alíquota maior de ICMS sobre energia elétrica e serviços de comunicação no Maranhão [R39] e encerrou uma ação sobre Arthur Henrique, permitindo que o TSE decida a eleição suplementar em Roraima [R36]. Há discussões internas no STF sobre a pauta de dosimetria, com alguns ministros considerando que Moraes deveria pautá-la em aceno ao bolsonarismo [R40]. Um ministro também defendeu que não é mais possível dar validade à Lei da Anistia [R42].

No Congresso Nacional, diversas pautas estão em andamento. O Senado aprovou o novo teto do MEI [R17] e uma lei que perdoa dívida e aumenta o limite do MEI [R19]. Projetos como o que prevê exame de corpo de delito humanizado [R18] e o que combate a oferta abusiva de produtos financeiros [R15] aguardam análise na Câmara. A Câmara dos Deputados, por sua vez, aprovou um projeto que permite que exames feitos em clínicas particulares valham no SUS [R22]. Temas como bets, transporte gratuito e maioridade penal estarão na agenda do Congresso após as eleições [R23]. A PEC da Segurança Pública é um tema relevante, com o governo apelando a Alcolumbre por sua votação antes do segundo turno [R75]. O ministro Moraes considera a integração na PEC da Segurança “importantíssima” [R67].

Segurança Pública e Alianças Partidárias

Na área da segurança pública, o governo Lula abriu uma nova frente de combate ao crime organizado, mirando o patrimônio de facções [R66, R79]. A AGU busca recuperar R$ 190 milhões de integrantes do PCC e do CV [R70]. Há discussões sobre a reserva de 25% das vagas em presídios federais para chefes do crime organizado [R76]. A PEC da Segurança Pública é vista como um mecanismo importante para aprimorar a integração das forças de segurança [R67]. Governadores também estão atuando, com a entrega de novas viaturas à Polícia Militar na Bahia [R68] e operações contra o crime organizado em outros estados [R71]. A discussão sobre a liberação de munição sem número, defendida por Flávio Bolsonaro, é criticada por ser vista como um facilitador para o crime organizado [R74].

No cenário partidário, o Centrão busca aliança com a esquerda para conter o bolsonarismo e manter Motta no comando da Câmara [R94]. Daniel Vilela defende uma federação entre MDB e PSD e articula aliança com Caiado [R95, R96]. O PL já tem Capitão Alden à disposição para disputar a Prefeitura de Feira de Santana [R97]. No Tocantins, o PT exige que Dorinha entregue cargos federais após sua aliança com Flávio Bolsonaro [R98]. Essas movimentações indicam a formação de coalizões e estratégias para as próximas eleições, tanto em nível nacional quanto local. A sucessão no Senado também ganha novos contornos, com Alcolumbre perdendo apoio de federações [R102].

Cenários e Próximos Passos

O cenário político atual é de alta volatilidade, com as eleições presidenciais no centro das atenções. A proximidade do segundo turno intensifica a disputa e a retórica entre os candidatos. As decisões do STF e as pautas do Congresso Nacional continuam a moldar o ambiente institucional e econômico do país. A economia, com a preocupação fiscal e a expectativa de aperto, será um desafio para o próximo governo. A segurança pública permanece como uma prioridade, com o combate ao crime organizado e a discussão sobre a PEC da Segurança. Os próximos dias serão cruciais para a definição do pleito, com a divulgação de novas pesquisas e o debate final entre os candidatos. A observação das estratégias de campanha, das reações do mercado e das movimentações no Congresso será fundamental para entender os desdobramentos políticos e institucionais do Brasil.

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